CARTA DE DESPEDIDA PARA MINHA BARRIGA, por Nidia Panizza

September 14, 2017

Essa é a história da minha amiga querida, Nidia Panizza, que quero compartilhar com vocês. Para as barrigudas desse mundão:

Estamos caminhando para completar a trigésima sétima semana de gestação – toda sexta faço aniversário, toda sexta é dia de foto da barriga, de vestir a mesma roupa desde o primeiro dia da descoberta e de notar como tudo mudou… como passou rápido, como tudo na vida… então, resolvi escrever esta carta de despedida para minha barriga, minha grande (!!!) companheira de todas as horas!

Querida barriga,

Todo final tem um começo. Parece uma afirmação banal, mas nada banal se tratando de você. Logo que descobri que estava grávida, eu já notava que você estava diferente! Eu até vestia minha calça jeans que eu amo da GAP tamanho SUNV (sonho de uma noite de verão (: ) e o botão fechava numa boa, mas eu já conseguia te ver diferente. Com você, chegaram as diferenças no quadril, no estado de humor, na vontade de dormir e na fome incontrolável. Ah! E os enjoos… escovar os dentes era uma tortura! Você nem tinha ainda quase começado a crescer, era talvez algum inchaço, uma bobagem de diferença, mas trazia uma mudança gigantesca para a minha vida e para a vida do Fabio. Que barriga danada você é!

Até que de fato você dá o ar da graça e é inevitável…, são tantas dúvidas e medos. Será mesmo que é possível ter alguém aí dentro de você? Quem é esse ser tão minúsculo mas que já considero pacas? Que inveja de você minha querida barriga, que abriga esse mini peixinho desde os primórdios… uma simples barriga? Ou… praticamente o fundo do mar?

Fundo do mar, este foi só um dos apelidos que te dei durante essa trajetória. Sim, fundo do mar, cápsula do amor, um grande ofurô. Grande aos meus olhos. Uau, como você cresce!!! Mas só aos meus olhos. Eu olhava pra você lá pelas quinze e tantas semanas de gestação e você parecia o planeta terra visto daquelas fotos espaciais. Eu olhava de cima, e tudo girava ao seu entorno. Meu umbigo começou a perder sua existência. Pra que umbigo? E quantos tubos de cremes tenho investido em você. Você nunca esteve tão macia. Nem sempre cheirosa… (cada creme que fala sério!), mas agora sim encontrei o ideal e você cheira a ovo de Páscoa e não é que se parece com um?

Quando você se tornou pública, eu me irritava as vezes. Todo mundo passa a mão em você. Me sentia a própria lâmpada do gênio. Eu tentei te disfarçar as vezes, mas logo notei que era em vão. Você parecia maior. Ficavam te comparando a outras barrigas. Minha estatura não ajuda né? A Lavinia tem as medidas do livro! Então porque es tão grande amada barriga? Ué, essa nenê precisa se acomodar no fundo do mar, na cápsula do amor, no grande ofurô. Cada vez maior pra mim, mas lá dentro imagino já não estar tão grande assim. Sua ocupante está muito grande, um toco, mas grande.

Agora vejo suas ondulações… qualquer mexidinha já é suficiente pra você deformar o “rendondismo”. Eu vejo um pézinho ou um tornozelo e também o cotovelo ou sei lá o que! Só sei que você me surpreende toda vez que se enrijece, treinando as contrações e comprimindo sua habitante. Tadinha da Lalá!

Com você me sinto completa, redonda, fico bem nas fotos, faço poses, muitas poses. Nem sei porque algum dia tentei te disfarçar. Eu quero mais é te mostrar e abusar de sua exuberância. Agachar, deitar, levantar, são grandes eventos. O peso circunda minha pelve e me sinto um canguru, mas sem pular por favor, eu tenho aflição.

Quanto sentimento e emoção carrego em você amada barriga. Você me transformou não só e tão somente num ser redondo e hidratado e impossibilitado de enxergar um passo adiante, mas me transformou principalmente no centro das atenções… nada mal para uma leonina caprichosa como eu. Até o rímel é dispensável com você por aqui. Me sinto linda, viva e mais alta.

Os vestidos caíram bem em você. Eu preferi os vestidos, os elásticos te incomodam e a tendência é piorar. Você foi e ainda é e será até o último dia (grande dia do nascimento de nossa pequena), a morada mais quentinha e deliciosa que alguém poderia querer. Você protege a coisa mais importante que existe pra mim. Você é o escudo que todo mundo sonha ter. Você encapsulou o amor e aninhou meu bebê. Quanta gratidão eu tenho por você.

Querida barriga, sentirei sua falta. Que falta me fará sua redundância. Que saudades já tenho de você. Não sei se voltaremos a nos encontrar um dia. O futuro a DEUS pertence, mas quero te agradecer por todos os dias que esteve comigo, não me deixando sozinha. Eu olho pra você e me sinto completamente preenchida. Preenchida pelo amor mais genuíno e violento que alguém pode gerar e carregar.

Estas fotos lindas da minha barriga, do meu amor e da minha alegria são da fotógrafa mais humanizada do mundo: Carol Valério (http://carolvalerio.com.br/)

 

 

 

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