Falando dos Aspectos Emocionais no Pós-Parto

October 21, 2017

 

Hoje quero compartilhar um pouco sobre as mudanças e/ou alterações emocionais que ocorrem no puerpério, quando a nova rotina familiar se estabelece com a chegada do bebê.

As primeiras semanas de vida do bebê são de adaptação e reconhecimento dos novos papéis dessa nova estrutura familiar, em que muitas novidades acontecem simultaneamente.

A amamentação e todas as suas dificuldades (que pode ocorrer em algumas mulheres), e a rede de apoio e/ou o(a) parceiro(a) que nem sempre consegue ou está disponível para auxiliá-la de maneira eficaz, as alterações hormonais, com a queda do estrogênio e da progesterona e aumento de prolactina e ocitocina, os novos hábitos que vão se surgindo na dinâmica familiar para se adequar à esse serzinho tão dependente de amor e cuidados, devem ser observados e cuidados com muita atenção e amor por todos que estão envolvidos com a família.

E não menos importante, a vulnerabilidade emocional em que essa nova mãe se encontra, pois, ela pode apresentar insegurança, ansiedade, medo e culpa relacionados aos cuidados com o bebê, ao mesmo tempo em que o vínculo está se formando e eles estão se conhecendo e aprendendo um com o outro como ser mãe e como ser filho, através da amamentação em livre demanda (ou mesmo pela alimentação por meio de leite artificial), e do colo quase que ininterrupto nos primeiros três meses (que é conhecido com a exterogestação, que eu vou falar no próximo texto).

Dentre os transtornos de humor que podem acometer a mulher estão o baby blues (“tristeza de bebê”/“melancolia da maternidade”) ou depressão leve, manifestando-se em até 60% das mulheres no período pós-parto, entre o segundo e o quinto dia após o parto, sendo considerada uma reação normal no puerpério imediato, tendo, porém, remissão espontânea.

Já cerca de 10 a 15% pode sofrer de depressão no pós-parto (DPP), o que pode incapacita-las de cuidar de si próprias ou do bebê, e pode ter ou não características psicóticas (psicose pós-parto), com ideias suicidas ou homicidas.

A DPP é uma tristeza intensa com graves e instáveis alterações de humor, como medos intensos, raiva, ansiedade, irritabilidade (com choro incontrolável), rejeição do bebê e desânimo e que persistem após as primeiras semanas e que necessita de auxílio para melhora do quadro.

Dentre os fatores de risco para a depressão pós-parto podemos citar: depressão e ansiedade pré-natal, baixa autoestima, falta de apoio social, histórico de depressão, estresse, temperamento infantil, ser solteira, ter baixo status socioeconômico, a gravidez ter sido indesejada ou não planejada.

Nesses casos, as intervenções farmacológicas se fazem necessárias, com o uso de antidepressivos, ansiolíticos, estabilizadores de humor ou antipsicóticos (tudo com acompanhamento psiquiátrico), a psicoterapia e grupos de apoio são muito importantes para monitorar e avaliar a melhora do quadro, além da manutenção da rede de apoio, seja da família ou da comunidade, encorajando-as a terem um tempo para si, descansarem (sempre que possível), conversar, aprender técnicas de relaxamento, praticar exercícios (como ioga), se alimentar e dormir bem. Algumas terapias alternativas também podem ser utilizadas, como acupuntura, massagens, aroma terapia e uso de plantas.

E para você que está se preparando para a chegada do seu bebê ou para você que convive ou conhece outras mulheres, aí vão algumas dicas de como manter-se saudável emocionalmente nesse período do pós-parto: orientar os familiares e amigos mais próximos sobre as mudanças emocionais; cuidar de si, alimentando-se e dormindo bem e procurar se exercitar; compartilhar seus sentimentos com alguém e não se isolar (isso é MUITO importante!), não se sobrecarregar com compromissos da casa e se sentir na obrigação de ser uma mulher perfeita (isso você não conseguirá, por mais que tente, acredite em mim!!), criando expectativas irreais e não se envergonhar de ter dificuldades em lidar com as emoções após seu bebê nascer (você não é a única, ok?). e buscar apoio sempre!

 

Fontes:

Beck, C (2002). Revision of the Postpartum Depression Predictors Inventory. Journal of Obstetric, Gyneologic and Neonantal Nursing, 31(4), 394-402.

Beck, C (2001). Predictors of pospartum depression: na update. Nursing Ressearch, 50(5), p. 275-282.

Fishel, AH (2012). Transtornos Mentais e Abuso de Substâncias durante a Gestação. In: Lowdermilk, DL, et al... Obstetrícia e saúde da Mulher.10ª edição, Rio de janeiro, Elsevier, 2012, cap. 32, p.: 751-72.

Schmidt, EB, Piccoloto, NM, Müller, MC. Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. Psico-USF, v. 10, n. 1, p. 61-68, jan./jun. 2005

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Recentes

November 21, 2017

Please reload

Lótus Feminino, acolhendo mulheres. Consultoria, cursos e palestras para mulheres, gestantes e empresas por Sheila Gonzalez.