Relato de Parto do Leon

Cerca de um ano e meio antes de engravidarmos, eu decidi que queria ter uma gestação e parto o mais tranquilo e natural possível, com muito respeito e carinho.

Tomei esta decisão após passar por algumas vivências de autoconhecimento (uma delas chamada Renascendo com Amor) nas quais verifiquei a importância dos sentimentos maternos em relação à gestação, e como o bebê é extremamente sensível a estes.

E ainda mais sendo enfermeira, sei que existe pessoas na área da saúde sem nenhuma empatia e respeito ao próximo e não iria admitir maus tratos a mim e ao meu bebê.

Comecei a procurar profissionais da área de obstetrícia que realizassem um atendimento holístico, digamos assim.

Neste período, acabei conhecendo (confesso que ainda é bem pequeno o meu conhecimento) a antroposofia através de pessoas no local onde trabalhava, sendo que me interessei bastante por esta filosofia.

Nesta minha busca, também resolvi perguntar a uma amiga muito querida se ela conhecia algo do tipo e ela me colocou em contato com uma doula (na época, não fazia ideia do que era uma doula), conhecida dela que atendia numa clínica de obstetrícia.

E por uma incrível "coincidência", naquela clínica que a doula trabalha haviam profissionais de obstetrícia com formação antroposófica!!!

Na mesma hora decidi (juntamente com meu marido) que seria ali que faria o acompanhamento da minha pré gestação, gestação, parto e pós-parto.

Após nove meses de tentativas, num dia muito especial para mim e meu marido, concebemos o Leon, pois sabemos o dia em que ele veio para nós.

No dia seguinte já comecei a me sentir "estranha", sabia que tinha algo diferente acontecendo e minhas mamas começaram a doer bastante.

Mesmo assim, quando vi o resultado do teste de urina, não conseguia acreditar, li e reli o resultado umas cem vezes, tamanha a minha felicidade!

Comecei a me preparar emocionalmente, espiritualmente e fisicamente para a chegada do meu bebê, sonhei com cada momento do trabalho de parto e parto desejando que fosse natural e na água.

Trabalhava numa instituição que demandava muito esforço e energia físicos e emocional, em que o estresse era grande e não gostaria que meu bebê sentisse esta carga de energia negativa daquele ambiente, em que os pacientes apresentavam má formações e síndromes genéticas das mais diversas.

Confesso que tive um pouco de receio de que meu bebê nascesse com alguma deformidade e tentei me conectar com o Plano Maior em busca de tranquilidade e fé, pois acredito que não existe o acaso.

As consultas com a obstetra e a enfermeira obstetra eram super esclarecedoras e ambas me passavam muita confiança e tranquilidade, o que me ajudou neste processo todo, já que quase todas as pessoas ao meu redor me desencorajavam ao parto normal pelas razões mais esdrúxulas que já ouvi em minha vida...

A doula também foi essencial para mim, pois criamos um vínculo bem antes do trabalho de parto, aumentando minha autoconfiança no meu poder de parir.

Eu comecei a ler tudo sobre gestação e o desenvolvimento embriológico do bebê e também participei juntamente com meu marido dos cursos de gestantes e de cuidados com o bebê da Casa Moara.

Comecei a fazer yoga, que além de ajudar na respiração, aliviou muito as minhas dores na região sacral, que se manifestaram logo no início da gestação.

Como adoro água, também fiz hidroginástica até por volta da 35ª semana, pois a água era um bálsamo para minhas dores.

Fiz exercícios perineais e também utilizei o epi-no, que não foi nem um pouco confortável, mas muito eficiente na hora do parto.

Mesmo com todo este preparo, passei quase toda a gestação me sentindo muito cansada, com falta de ar e sonolenta, praticamente me arrastando para fazer as coisas, além de ter engordado 20 kg, praticamente só na barriga, no final já não conseguia nem dirigir nem trabalhar.

Na 36ª semana entrei em licença maternidade e aproveitei para descansar e me conectar com meu bebê, conversava muito com ele, ouvia músicas que elevavam meu padrão vibratório e que me proporcionavam bem-estar.

Na 39ª semana comecei a me sentir ansiosa pelo nascimento do Leon, já não conseguia mais dormir de tanta azia, e urinava a cada 30 minutos (o dia todo!!).

E sentia que sua chegada estava próxima, tive vários sonhos "estranhos", com muita água e cheios de simbologias.

O tampão mucoso começou a sair por volta do dia 23 de julho e a dor na região lombar aumentou e minha alegria com sua chegada também!

Na madrugada do dia 27 de julho, às 3:00h após ter um sonho revelador em que o Leon falava comigo, começaram as contrações!!!! Chorei de Felicidade e Emoção, pois meu tão esperado bebê estava pronto para realizar a passagem! E uma frase muito poderosa escrita nos Salmos me "veio" à cabeça e repeti instintivamente até o final do TP.

Falei para ele que eu também estava pronta para recebê-lo e que ele poderia realizar a descida da maneira mais tranquila possível e que Deus estaria conosco nos amparando e protegendo!

Comecei a contar a frequência das contrações por um aplicativo no celular e acabei dormindo, pois estavam bem espaçadas (a cada 15 minutos).

Às 6:00h da manhã, acordei com uma contração e com fome, resolvi acordar o Otamilo e contar para ele. Choramos juntos de Felicidade!

Ele comunicou a minha doula e a equipe e ficaram se comunicando por mensagens.

Tomei café da manhã, um bom banho, arrumei algumas coisas em casa, terminei de organizar a mala da maternidade e lá pelas 10:00h quando as contrações vinham a cada 10 minutos, tive vontade de deitar e me conectar com Deus e com o Leon.

Apesar de ter me preparado para ter um parto ativo, não me senti bem andando nem realizando exercícios na bola, nem no chuveiro. E na cama fiquei quase o tempo todo, na penumbra, quieta, respirando profundamente, ouvindo as músicas que havia preparado para cada fase do trabalho de parto, sentindo cada contração, vocalizando-as, sabendo que eram estas ondas que trariam o Leon para os meus braços.

Por volta das 12:00h, as contrações começaram a ficar menos espaçadas e eu pedi ao Otamilo que chamasse a minha doula, porém ela estava atendendo outra gestante e iria demorar um pouco, então, chamamos a doula que estava na retaguarda, que além de me acalmar, fez uma super massagem em mim.

Quando as contrações vinham a cada 3 minutos, eu já estava pedindo para ir ao hospital, com receio de ficar parada no trânsito e começar a ficar estressada, o que poderia dificultar a secreção de ocitocina. Isto eu não queria!!

Cheguei ao hospital e a enfermeira obstetra da equipe realizou o exame de toque e a dilatação estava em 8 cm e o cardiotoco normal.

 

Fomos para a sala de pré parto e em seguida para a suíte delivery, a esta altura eu já havia submergido na Partolândia e me "instalei" na banheira e não quis sair mais, pois ficar ali, com aquela água quente aliviou muito a dor, além do apoio do Otamilo, que após umas duas horas, entrou na banheira.

Quando já estava com dilatação total, estava bem cansada, cheguei a pedir anestesia, mas graças a Deus e a equipe Maravilhosa, meu pedido foi ignorado!!

A bolsa rompeu e comecei a ter vontade de fazer força, mesmo exausta, os puxos veem, é impressionante a força que emerge da gente nesta hora (mesmo com o período expulsivo durando cerca de duas horas), ainda mais quando a obstetra vê o cabelo do Leon e pede para eu tocá-lo, isto é indescritível...

O sentimento de que sou uma mamífera que segue sua natureza de parir fisiológica e instintivamente vêm à tona e começo a chamar pelo Leon e o círculo de fogo acontece, sua cabecinha sai e sei que estamos na reta final, as dores ficaram insignificantes e senti fortemente a presença de Deus e da minha índia protetora naquele banheiro (Neste momento começou a tocar um mantra muito Lindo e Especial para nós, sem que alguém da equipe tivesse modificado a playlist!).

Após quase 18 horas de TP e umas duas ou três contrações (não lembro exatamente), o corpo sai sozinho e então a obstetra o coloca em meus braços (tive uma pequena laceração de 1° grau que não necessitou de sutura) e é nesta hora que eu posso dizer que conheci o Verdadeiro Amor e senti a Maior Felicidade que pode existir!!!

Leon ficou no meu peito enquanto o neonatologista o examinava de uma maneira muito sutil, quase imperceptível, se atentando também a manter as compressas quentes no corpinho dele até saírmos da banheira.

Em alguns minutos, quando o cordão umbilical parou de pulsar, o Otamilo o cortou e pari a placenta (e que placenta, era enorme!!), após pequenas contrações.

Enquanto isso, Leon continuava no meu peito e com o auxílio do neonatologista tentei amamentá-lo, porém, apresentamos dificuldade para tal (é outra história) necessitando de muito ajuda e apoio para ter sucesso na amamentação.

Leon nasceu às 20:48h com 4,465 kg e 54,5 cm, apgar 9/10 e síndrome respiratória adaptativa, que cessou cerca de uma hora após o nascimento.

Em seguida, fui para meu quarto enquanto Leon "precisou" ir ao berçário por cerca de uma hora, devido ao protocolo do hospital. E quando o Otamilo o trouxe para o quarto mal dormimos de tanta Alegria!!!

Ao passar por esta incrível Jornada muito mais espiritual do que física, tive a certeza de que tudo sou capaz e que posso transcender todos os meus limites e parir foi renascer junto com meu filho, pois o maior Milagre da Vida tinha acontecido diante de mim!

 

 

Equipe Maravilhosa!!! Dani Andretto, Marcia Koiffman, Andrea Campos e o inesquecível Douglas Gomes!!!

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